• Alexa von Oertzen, LMFT

O preço que os jovens pagam pelas altas expectativas acadêmicas de hoje

Você já escutou a frase ou disse a você mesmo, "Quando eu estava na sua idade, eu andava quilômetros até a escola... e hoje isso é tão fácil para você"? Ou talvez, "Por que você não pode ser mais parecido com seu irmão"?


Infelizmente, não é segredo para ninguém que os pais sentem que os adolescentes de hoje têm menos motivação e mais dificuldades de focar em suas atividades acadêmicas e extracurriculares. Eles ficam perplexos com a evidente progressão lenta e a instabilidade emocional de seus filhos adolescentes, pressupondo que são preguiçosos ou hipersensíveis. Esse ponto de vista pode frustrar os pais e levá-los a se tornarem mais envolvidos em vigiá-los e pressioná-los a ter um melhor rendimento.


Por ser mãe, eu consigo entender a lógica de que a vida era muito mais complicada anteriormente. As regras sociais e familiares eram mais rígidas e não tínhamos outra escolha a não ser atender às expectativas dos nossos pais. O contexto inteiro era diferente e as expectativas escolares não eram tão grandes. Existiam poucos cursos avançados como AP ou AICE (nos Estados Unidos, são programas do high school, que permitem contato com conteúdos de faculdade) para levar os jovens adiante. Além disso, eles tinham um melhor equilíbrio entre as atividades escolares, o lazer e os intervalos. Também não existiam mídias sociais aumentando a competitividade e o julgamento tóxico dos outros. No passado, as admissões em universidades eram relativamente mais simples, com menos candidatos para a mesma vaga na educação superior.


Agora, o que estamos percebendo é uma corrida de adolescentes para terminarem melhor e mais rápido do que qualquer outro. A concorrência não apenas criou altas expectativas acadêmicas e extracurriculares, mas também obrigou as crianças a focarem nisso mais cedo do que nunca.


Crianças no middle school estão sendo incentivadas a ler mais rápido, entrar em programas de aptidão e fazer cursos extras em casa para ter uma vantagem sobre seus colegas. Com todo esse foco em produtividade, não é de se admirar que nossos jovens estão desesperados por intervalos, tempo social e lazer. Infelizmente, as consequências das grandes exigências sobre os ombros dos adolescentes estão afetando tanto o lado comportamental quanto o emocional desses jovens.


Seus filhos estão exibindo esses comportamentos?

  • Adiando tarefas para interagir com os amigos e família.

  • Dormindo menos devido ao uso da hora de dormir para estudar ou para o lazer.

  • Optando por dormir em vez de comer.

  • O autocontrole e autodisciplina são insuficientes.

  • Estão isolados para evitar críticas e o monitoramento de seu rendimento.

  • Estão usando substâncias ilegais para "fugir" de sua realidade.

  • Estão sofrendo ataques de pânico e questionando decisões.

  • Estão desistindo de suas atividades.

Os seus jovens estão sentindo essas emoções?

  • Ansiedade pelo monitoramento semanal das notas pelos pais.

  • Raiva pelos pais por se preocuparem apenas com seu rendimento escolar e não com sua pessoa no geral.

  • Medo do fracasso.

  • Baixa autoestima por perceber que seu valor como indivíduo depende do seu rendimento escolar.

  • Têm uma postura perfeccionista e estão desenvolvendo Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) para ter uma sensação de controle.

  • Sentem culpa e vergonha.

  • Está deprimido por não se sentir ouvido ou apoiado.

  • Eles se fecham para todas as emoções.


Como você pode ajudar?


Se perceber seus filhos exibindo esses sintomas, é hora de parar e perguntar a si mesmo se esses padrões constantes estão abalando nossos adolescentes. O próximo passo é sentar e ter uma conversa sensata com eles, admitir que percebemos suas alterações emocionais e queremos ajudá-los a superar esses problemas.


Uma combinação de afirmações positivas, ajustes de expectativas e rotinas organizadas pode ajudar a redefinir o humor e os comportamentos subsequentes do seu filho. Aqui estão algumas estratégias que você pode utilizar para ajudar seu filho e sua família a terem expectativas mais realistas.

  • Escute ao jovem sem interromper ou discutir. Quando em dúvida, faça mais perguntas como o que eles precisam emocionalmente ou qual apoio adicional eles precisam academicamente. Uma postura calma e livre de julgamentos é fundamental durante essas etapas. Talvez você descubra que eles não conseguem se concentrar e precisam de um tutor, estão tendo problemas com bullying na escola ou terminaram uma amizade recentemente.

  • Assegure-os que você tem confiança em suas virtudes e competências. Eles precisam escutar que são valorizados independentemente de suas realizações acadêmicas e que são amados por serem seus filhos. Esses jovens dando o melhor de si precisa ser o suficiente, não suas notas. Todos podem ter um teste-surpresa, e se eles entenderem que estão sendo julgados por seus esforços e não apenas pelos resultados, podem sentir-se menos ansiosos e mais confiantes.

  • Ajude-os a ganhar equilíbrio em suas vidas. Verifique as rotinas atuais do seu filho e veja se mudanças são necessárias com horários de sono, horários de alimentação, dever de casa e intervalos. Eles não vão gostar, mas talvez você tenha que controlar o tempo de internet, impor uma organização alimentar e um horário para dormir. Ao decorrer do tempo, eles irão se acostumar e se beneficiar disso.

  • Comemore as pequenas conquistas. Mesmo se eles falharem em outras áreas, focar nas positivas irá ajudá-los a melhorar sua confiança para superar obstáculos. Esse novo objetivo pode ser complicado de aderir, já que requer paciência, mas é um dos aspectos mais importantes para reverter a ansiedade e aumentar a autoconfiança.

  • Entenda melhor sobre suas conexões com as redes sociais. Algumas crianças conseguem lidar com as pressões e o conteúdo das redes sociais, outras não. As redes sociais podem ser um veículo para interação social e, simultaneamente, uma armadilha perigosa para aqueles desesperados por validação além de suas famílias e de si mesmos. Aplicativos como ''Omigo'', ''Snap'', ''IG'', ''Oovoo'', ''Discourse'', e ''Viber'' (para citar alguns) proporcionam um ambiente para se reunir e interagir com outros jovens. Ainda assim, podem também trazer críticas indesejadas e relacionamentos perigosos e tóxicos. Dependendo da idade do seu filho, do histórico e da saúde mental, você pode ajudá-lo a encontrar aplicativos adequados.

  • Esclareça os motivos para suas regras e decisões. Como eu, você detesta quando seu filho tenta discutir suas escolhas ou negociar uma consequência alternativa à que você aplicou. Você quer terminar o debate sem discutir, mas se você não o ajudar a entender a sua lógica, ele se sentirá desrespeitado e irá desrespeitar você. Eles podem não gostar de suas razões, mas você está demonstrando estrutura, liderança e cuidado, caso você seja coerente, justo e sincero.

  • Passe tempo se divertindo com seu filho. E quero dizer diversão para o jovem. Pergunte a eles o que gostariam de fazer e quando gostariam de fazer. Talvez queiram trazer um amigo em casa e está tudo bem. Se eles não tiverem ideia, invente algo, como uma aula de culinária, aula de artes ou jogar futebol no parque. Alguns gostam da praia e outros preferem jogar videogames com você. Então, certamente, há sempre uma série favorita da Netflix ou até uma ida ao Starbucks. O importante é dar atenção ao seu filho além do que eles "deveriam estar fazendo". É incrível como eles compartilham sobre suas vidas quando eles sentem uma abordagem diferente.


Se você acredita que precisa de ajuda adicional, a terapia familiar ou terapia para seu filho adolescente são ótimos recursos!


Às vezes o seu filho nem entende ao certo o porquê de estar agindo dessa maneira e não consegue parar com esse comportamento, mesmo após todos seus esforços. Não há vergonha em buscar ajuda profissional, como às vezes as ideias que eles adquiriram ao decorrer do tempo estão tão consolidadas, que precisam de tratamento particular para mudar seus pensamentos fúteis e seus desafios mentais subsequentes.